quarta-feira, 9 de junho de 2010

But you, you’re not allowed.

Lugar diferente, gente diferente. Fazia quatro dias que me mudara. A loucura de móveis desmontados pela casa inteira não incomodava mais, já que, na última contagem, era a quarta mudança nos últimos três anos. Mas algo de novo pairava no ar. No ar e no meu dedo da mão esquerda.
Como uma perfeita dona-de-casa, seguira meu marido aonde quer que ele fosse. Tudo bem, não foi bem assim, muito antes de cogitar a hipótese, já tinha recebido propostas de emprego – melhores que a atual – na mesma cidade. Mas da mesma forma, a idéia de estar casada e de manter um matrimônio parecia assustadora.
Hoje, primeiro dia de trabalho, eu conheci meus colegas de redação. Na verdade, Ana já era uma amiga de infância e quem tinha ajudado a conseguir o cargo. Os outros pareciam bastante simpáticos. Em dado momento, ocorreu uma situação um tanto quanto engraçada e constrangedora.
Enquanto conversava com Ana e uma outra jornalista que, se bem lembrava, chamava-se Jéssica, um, até então, desconhecido passou cumprimentando todos os presentes.
- Esse! – Disse Jéssica.
- Esse o que? – Perguntei.
- É o Marcelo. – Apresentou Ana.
- O que tem ele?
- O que tem ele? Além da perfeição?
- Ah, ele é bonito. Parece simpático também. – Disse, analisando mais a fundo, com um risinho mal intencionado.
- Nossa, eu me separava por uma noite com ele! – Terminou Jéssica.
Passado o choque da revelação, todas riram. A conversa continuou até o que Ana fora chamada para cobrir algum furo de reportagem e o turno de Jéssica acabara. Estava sozinha e perdida num sofá qualquer, quando Marcelo apareceu.
- Nova por aqui? – Perguntou.
- Acertou. – Ri – Me mudei há pouco.
Ele era incrivelmente bonito.
- Está gostando? – Perguntou, puxando papo.
- Da cidade ou do emprego?
Ele riu. A risada, junto com o sotaque, só ajudavam na fama que ele parecia ter por aqui, já que todas as mulheres que passaram nesse meio-tempo, lançaram olhares dúbios para ele e mortais para mim.
- Dos dois.
- Tô gostando bastante. Dos dois. Na verdade, eu já conhecia São Paulo, morei aqui algum tempo. E o emprego, bom, não deu pra saber muito ainda, mas as pessoas parecem simpáticas e o trabalho é parecido com o que eu já fazia em Florianópolis.
- Você é de Florianópolis?
Confirmei com a cabeça.
- Machucou? – Perguntou, olhando o band-aid enrolado no meu dedo.
- Ah é, eu cort... – Ia dizendo, no momento em que ele segurou minha mão esquerda e, conseqüentemente, viu a aliança dourada. – O motivo pelo qual eu me mudei. Meu marido foi transferido. – Expliquei, sem graça.
A expressão dele, antes simpática, agora estava constrangida.
- Casada, então?
- É...
- Bom, muito bom te conhecer, mas agora eu tenho que trabalhar. Prazer, viu? – E saiu.
A minha reação, ou melhor, a falta de reação foi tamanha que sequer me despedi. Levantei e fui procurar trabalho e, com sorte, esquecer o acontecido.
Entre as várias cabines, encontrei o meu computador e tentei começar a coluna que estrearia semana que vem, sem sucesso. Ao lado, alguém parecia bastante entusiasmado com a conversa no telefone. ‘Casada? Que desperdício!... E desde quando isso foi motivo para você desistir?... E daí que tem um marido? Você não ta procurando uma esposa!... Como assim não vale à pena?... Ela não é tudo isso?’ Risos, risos, risos. Novamente, levantei-me e fui embora. Independente da sorte, essa conversa não sairia tão cedo de minha cabeça, assim como minha antipatia por Marcelo.

domingo, 6 de junho de 2010

Amor, em sua mente, épico, transformado em jogo cínico.

A música era ensurdecedora; as luzes, intermitentes; o ar, inexistente. A única coisa que poderia transformar aquele lugar em algo próximo de suportável, ou quem sabe até divertido, era uma bebida – alcoolica. E em grande quantidade, de preferência.
O caminho do bar parecia não ter mais fim, dados aos empurrões e encontros, mas ninguém parecia notar ou se importar. Suas amigas conversavam – ainda que não entendesse como – de forma animada, cheio de risinhos dúbios e mal intencionados. A felicidade naquele lugar era eloquente e até ofensiva, para quem olhava - e somente olhava.
Já perto do barman, alguém segurou seu braço. O impulso de, sem olhar, tirar rapidamente foi interrompido com um tom de voz familiar cumprimentando-a.
- Oi!
Ao se virar, reconheceu o rosto dos corredores da universidade em que estudava. Ele nunca sequer cumprimentara com um olhar ou aceno. Tinha a certeza de que a odiava, ainda que sem motivos. Era bonito e simpático, pela opinião geral. Ela duvidava da última parte, todavia não podia negar a primeira. Agora estava ali, com um sorriso gentil.
- Oi, tudo bem? - Retribuiu.
Sem uma palavra, puxou-a para o lounge, onde a música tornava-se mais calma e baixa.
- Ana seu nome, certo?
- Sim. O seu é Gabriel.
- Acho que já estamos apresentados, então.
- É... Por que?
A resposta começou em forma de um beijo. Forte e intenso. E terminou numa cama desconhecida, com um semi-desconhecido do outro lado. Já tinha amanhecido quando acordou e viu que estava sozinha num quarto pequeno e, no bidê, havia um bilhete escrito algo como ‘Tive que sair cedo. Beijo, Gabriel.’. Levantou, vestiu as roupas e deixou aquele lugar sem saber se voltaria a estar ali.
O final de semana acabou e a Segunda-feira trouxa o confronto inevitável. Durante o intervalo de uma aula e outra, ele estava lá, no corredor, com amigos. Ela passou e, como sempre, fingiram que não se conheciam.

domingo, 16 de maio de 2010

Não há como ignorar a beleza que existe em toda tristeza. A individualidade da dor, ao atingir cada um de nós, é quase poética. As lágrimas possuem um fundo de verdade já não visto mais, enquanto a agonia transforma a pressa em câmera lenta. É como se não coubéssemos dentro de nós e transcendêssemos o limite da matéria. Espalhamo-nos pelo ar e a dor se esvai; vira lembrança, saudade, nostalgia.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Com vocês, a estrada é mais segura (L)

Amizade. Tantas vezes diferentes, tantas vezes repentinas, tantas outras de longas datas, mas sempre tão importantes e necessárias. Uma completa a outra, transforma o conjunto numa coisa só, coisa essa que poderia até chamar de felicidade, de realização.
Cada uma chega de uma forma diferente, numa fase distinta e oferecendo exatamente o que, no momento, precisamos. Algumas duram pouco, mas cumprem seus papéis e causam um bem enorme. Outras se consolidam e caem no ‘para sempre’.
Tenho alma inquieta, que reflete nos pés a balançar, a cabeça nos ares, a insatisfação constante, todavia, a dificuldade de estabelecer contato diário e íntimo é percebida nas primeiras palavras trocadas. Os poucos que permanecem comigo, ganham um valor imensurável. Vale a pena citar algumas, e tentar, em vão, mostrar um pouco do que significam para mim.
Dentre elas, começo pela mais antiga e talvez mais íntima. Tão diferente. Há mais de doze anos e, melhores amigas por seis ou sete anos, sempre foi aquela com a qual eu falava mal dos outros, ajudava nas notas do colégio, fazia trabalhos, íamos uma para casa da outra simplesmente para conversar, ouvir música, rir das coisas. Agora um pouco mais distante, por motivos que, infelizmente, fogem do controle, mas ainda muito amiga, muito confiável. É daquelas que você fica um ano sem falar e, depois de 5 minutos, volta tudo a ser como antes, seja nos desabafos, no dia-dia, na vida.
Outra ao mesmo tempo em que é muito parecida, é muito diferente e, talvez por isso, completamo-nos. É aquela que você pode contar pros programas mais inusitados e de última hora. Também é muito antiga. É como se soubéssemos tudo uma da outra. Com altos e baixos, hoje estamos bem. É uma pessoa importante pra mim.
Agora, indo para as mais recentes, ela mostrou que as aparências enganam e o tempo não é determinante numa amizade. Há três anos apareceu em meu cotidiano e, aos poucos, fomos confiando uma na outra, dividindo problemas, angústias, convivência. Há dois anos tudo se intensificou e, mesmo com o fim do colégio, pessoas novas, a amizade continua ali, próxima. É aquelas que você sempre procura para contar o que há de novo, ou pedir conselhos, ou receber conforto.
Também há três anos, graças a espelhos de classe, conheci-a. Sempre alegre e bem-humorada e contando suas histórias hilárias, foi ganhando espaço na minha vida e se tornou uma pessoa incrivelmente amável. É daquelas que você não vê sempre, mas sabe que pode contar e, quando vir, tudo continuará lá, intacto, igual. Sinto falta dos dias com ela.
Por último, trago a amizade de internet que deixou de ser somente virtual. Sem simpatia no primeiro instante ou mútua, aos poucos ela insistiu e me convenceu que eu estava errada a seu respeito. Hoje, mesmo longe, toma um espaço real. Com ela, as férias nunca mais serão as mesmas.
Já que falei em amizades virtuais, cito também umas 5 outras pessoas que, por aí, conheci e gostei. Ainda que muitos não acreditem, eu dou uma grande importância para elas por um simples motivo: não precisaram do convívio diário para surgir o interesse. Vieram de afinidades espontâneas.
Além delas, um fofo também se tornou importante, seja com sua percepção incrível em saber quando algo está fora do curso normal, seja com suas expressões, seja com os cafés incríveis que só tenho com ele. A vida não nos colocou com rotinas, horários, locais parecidos, mas nossa amizade dá conta disso.
Torço, com todas as minhas forças, para que todas essas pessoas permaneçam comigo, ainda que em caminhos diferentes, que nos cruzemos sempre e mantenhamos o que construímos com tanta sinceridade e naturalidade, no decorrer dos anos.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Solidão de ser só dois [ou mil]

A pior solidão que pode existir é aquela acompanhada. É quando ela deixa de ser um estado e passar a ser uma pessoa, ou milhões delas. Quanto mais cheio o lugar, mais sós e incompletos nos sentimos. A mais doce palavra só representa a certeza de que, mesmo tendo tudo, não estamos satisfeito. Algo falta. Algo que ninguém sabe o que é, e, ao mesmo tempo, é quase palpável. Tem cor, forma, sabor.
E dói. Dói muito. É o vazio que fere mais que um corte, um machucado. Pior: Não cicatriza, apenas acostuma-se. Uma ferida aberta sem chances de, um dia, sua marca causar apenas lembrança, e não mais dor.
Os dias seguem, sem grandes dramas ou tragédias, todavia, é a calma da indiferença, da não-importância que traz consigo a convicção do dia perdido, da semana perdida... Da vida perdida. A vida não só sua, como também dos que, nela, se fazem presentes.
O telefone toca, mas o coração não acelera. Recadinhos são escritos, mas os dedos não têm a reação imediata de desdobrar o papel. Intenções são claras, mas falta vontade de levá-la adiante. A comodidade da vida de outono quase enlouquece na sua mansa – quase parada – caminhada. O corpo tranqüiliza. A alma explode em desespero.

domingo, 4 de abril de 2010

"Posso ser generoso pelo egoísmo. Posso ser amoroso pela tirania. Posso ser educado pela vergonha. Vê só o quanto uma virtude esconde uma maldade. Eu sou o resultado ou a origem daquilo que cumpro? O que tem peso maior: minha vontade ou o ato?"


CARPINEJAR, Fabrício.

sábado, 3 de abril de 2010

I'll wait for you.

O grande amor de outrora, agora só lhe dava risos envergonhados. A ilusão de, um dia, ser única aos olhos de alguém, também. Estava mais dura. Ao contrário do que possa parecer, não se sentia forte, sentia-se até mais frágil... A coragem de ver mãos suando, pernas tremendo, coração acerelando fora-se. Enfraquecera. Sem grandes traumas, o dia a dia tirou suas antigas convicções sempre tão defendidas. Vivia como alguém que não espera mais nada. Nem ninguém.
O jornal onde trabalhava vinha crescendo, à medida que sua carreira lá dentro também. Tinha uma vida estável, um apartamento e um carro próprios. Superara todas as expectativas que amigos e parentes fizeram a respeito de sua profissão. Mostrava-se feliz e satisfeita a todos que perguntassem, ainda que isso não representasse a mínima verdade. Transformara-se em alguém com hábitos e diálogos previsíveis.
Numa segunda feira qualquer, fora à cafeteria de costume e pedira, como sempre, o café preto sem açucar, enquanro abria o notebook para conferir e-mail e dar início na sua coluna diária.
Poucas frases tinham rompido o branco da página, quando alguém interrompia o silêncio com um corriqueiro 'olá'. Ao olhar para cima, viu, ou melhor, reconheceu seu professor de terceiro ano. Aquele por quem sempre tivera uma... 'quedinha', no mais suave dos termos.
- Oi, professor! - Sorriu desconsertada.
Ele ainda não conseguia disfarçar a surpresa de vê-la. Estava linda, embora não tivesse mudado muito. Parecia mais magra, cabelos mais compridos, um rosto mais adulto e, ao mesmo tempo, jovial demais.
- Professor?
- Ah, desculpe... É o costume! - Disse, enquanto levantava-se para cumprimentá-lo. - Senta aqui para um café!
- Não vai dar, desculpa. Tô super atrasado!
Ela, já sentada, olhou insatisfeita, como quem consentia.
- Você não mudou nada mesmo. - Ele riu.
Ela também, desviando o olhar.
- Foi bom de ver. Pena que por tão pouco tempo.
- Pois é... Você tá tão diferente... - Disse, pensativo - Mas a gente se fala.
- É... A gente se encontra por aí.
- Pode ter certeza que sim. - Afirmou, piscando em seguida.
Ela sorriu feliz, como há tempos não fazia. Admirava a capacidade desse homem em deixá-la feito adolescente.
Era confortante - e assustadora - a sensação de ter pelo que esperar todos os dias. Novamente.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Grandes e impossíveis romances sempre nos foram postos para que lêssemos e sonhássemos em vivê-los um dia. E aí a saga começa. Seu controle de qualidade acaba ficando além do necessário. Além do permitido. Triângulos amorosos complicadíssimos e nós, claro, no vértica disputado ou, ao menos, preferido. Impossibilidades de distância, classes sociais, idades, traições e, no fim, o esperado final feliz. A história sempre acaba aí e a continuação fica por nossa conta. Eu, por erro ou distração, nunca me preocupei com isso. Sempre tentava impor intenções dúbias em frases criadas pelo autor, olhares a mais, silêncios a mais. Tentando ver além das linhas, além do óbvio. Talvez por esse motivo, reticências sempre me foram queridas, e livros pouco detalhados me fossem mais impactante que a maioria.
Talvez por isso também, eu goste mais de inícios e meios. Desprezo fins. Mentira, desprezo a continuidade do fim. A comodidade do 'felizes para sempre'. Me agonia a ideia de que aquelas últimas linhas serão repetidas pela eternidade e que, tudo que valesse ser escrito e contado, acaba na linha tênue que divide o meio e o fim. Sou efêmera, sou inquieta. Alimento a esperança na expectativa de transformar a vida em fins infindáveis.

terça-feira, 23 de março de 2010

Aurélia Camargo.

Hoje, não sei o porquê, resolvi reler a cena do baile, no livro Senhora. A partir daí, comecei a procurar livros, comunidades, opiniões e, inconscientemente, acabo aqui, tentando definir essa personagem que tanto fascina.
Como todo romance romântico, temos a boa moça, que, nesse livro, é representada por Aurélia. Pobre, destemida, se apaixona por um jovem elegante - porém não rico - da corte. Até aí, nada além do esperado. O que mais surpreende é que, com tantas perdas (do pai, do avô, da mãe...), a única que realmente a endureceu foi a perda de sua paixão: Fernando.
Agora já rica, nada a satisfaz ou emociona, exceto ele, Fernando. E, como solução, ela resolve ceder sua vida, em prol de uma vingança. Casa-se com Fernando, por um dote ainda maior do que sua oferta anterior, e abdica de qualquer felicidade. Em sua noite de núpcias, conta a Fernando toda a farsa e avisa-o que o comprara e que, de agora em diante, o tem como propriedade.
Mesmo que digam que o casamento foi uma forma de vingança, vejo por outro lado: Ela é orgulhosa demais para perdoar e aceitá-lo, depois de tudo que acontecerra, todavia, ama-o a ponto de preferir viver em um inferno com ele a ficar sem. É uma tentativa desesperada de mantê-lo em sua vida, ainda que dessa forma, ainda que o desprezando. A prova disso é que, ao perceber o fim, o afastamento, ela se joga ao pés dele e implora perdão (cena essa que não me agrada).
É incrível como, mesmo com tantas mágoas e agressões, eles se estremecem um na presença mais próxima do outro. Preocupam-se e importam-se como amantes e amados. A cena do baile representa bem isso. O momento em que Fernando enlaça Aurélia pela cintura e o tremor que sentem, a paixão em olhares e situis toques, o pedido (dessa vez pedido, não ordem) para que continuassem ali, próximos e a total obediência de Fernando (voluntária). A necessidade de permanecerem ali e, por fim, o 'beijo', o toque de lábios que desconstruiu toda a força que Aurélia tentara demonstrar até o momento.
Aurélia tanto teme o fim daquilo que alimentou sua vida, tanto teme que, um dia, possam lembrar um do outro sem sentimento algum - bom ou ruim -, que prefere arriscar a liberdade - sua e dele.
É doentio, é fascinante.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Pior de tudo que a gente ainda vai se ver...

Dia 23 de Outubro, às 17h51:
Ela 'É como se tudo que eu mais quisesse, agora estivesse em minhas mãos. E pior: Não é suficiente. Eu não 'tô feliz. Pelo menos não como imaginei. Ele não parece o homem de minha vida... O jeito com que ele me olha não fascina mais, da mesma forma que o sorriso meio torto já me incomoda. Nada continua como antes... E justo agora, que o tenho aqui comigo. Hoje vou conversar com ele... Espero que não fique bravo comigo'
Ele 'É maravilhoso poder enfim sair na rua com ela e poder mostrar toda a felicidade que ela me causa. A risada dela me faz rir, o jeito com que ela faz perguntas irritantes o tempo todo e me cobra atenção enquanto dirijo também. A maneira dela falar minutos seguidos sem ao menos respirar e eu... hãn... eu perdido já na primeira frase... É tudo que eu sempre sonhei, ou melhor... é tudo que eu já nem sonhava mais. Hoje será nosso primeiro encontro oficial... Acho que estou apaixonado'

Dia 24 de outubro, às 02h17:
Ela 'Eu não imaginava que ele teria essa reação, mas foi melhor assim... Eu já não gostava mais dele... Na verdade, eu talvez nunca tenha gostado. Era bom ter alguém por quem lutar. Seria ainda melhor estar apaixonada. Paciência.'
Ele 'A noite não foi exatamente como esperei. Mentira. Foi a pior noite da minha vida. Não consigo entender aquela frieza... Aquela praticidade... Como se o que tivéssemos vivido não significasse nada. Acho que não significou, mesmo... Eu vivi aquilo sozinho. Fantasiei demais. Supervalorizei demais.'

Duas semanas depois...

Park Avenue. Ela corria e ele ia trabalhar, quando se cruzaram...
- Oi
- Oi...
- Como você está?
- Levando. Imagino que você esteja melhor.
- Na verdade, não.
- Foi feito o que você quis.
- Isso não significa que eu esteja feliz.
- Como você quiser...
- Bom... Você tá indo trabalhar?
- Tô.
...
- Eu já vou indo.
- A gente se fala.
- É... Quem sabe.
- Tchau.
- Tchau.
Afastam-se.
Ela chora. Ele não.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

- Que queres? Que admita que te amo mais que a mim? Pois digo, amo sim. Ter-te tão próximo e, ao mesmo tempo, tão distante é quase insuportável.
- Então por que me tratas dessa forma?
- Achas que é fácil estar junto a ti, tratar-te com carinho e não declarar-me como único e exclusivo amor? Sofreria muito mais assim. Prefiro distanciar-me e evitar ao máximo estes momentos sós.
- Queres então pôr um fim definitivo? Queres realmente afastar-se de mim e matar este sentimento que afirmas possuir?
- Matar isto que me corrói por dentro é tudo que mais quero. Mas sei que jamais o conseguirei, portanto, satisfaço-me em atenuá-lo.
- Pois eu prefiro o caos, as brigas a esta indiferença.
- Não deixe ainda mais difícil essa convivência, por favor.
- Tudo bem, acho que posso me adequar a sua nova maneira de conduzir este matrimônio.
- Sempre foste tu quem conduziste. Eu somente obedeço.
- Não mais.
Deu passos em direção a ele, estendeu-lhe o braço, aproximou-se sua fronte a dele.
- Boa noite.
E seus lábios, ainda que frios, tocaram-se levemente para, logo em seguida, se afastarem.
- Boa noite. – Retribuiu.
Ela deixou a sala, em passos rápidos. Ele desabou em sua poltrona e respirou, enfim, aliviado.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A ironia é algo que faz parte de mim, não nego. Todavia, hoje está ainda mais aguçada, portanto, não se assustem.
Encanta-me amores superados em 30 longos e sofridos dias. Acho fantástica a capacidade de pôr sinceridade em palavras falsas e admiro demais filas. Sim, filas. ‘Ah, eu prefiro esse, mas fulano é o segundo de que mais gosto’. E pior: Choco-me em ter de lidar com naturalidade e simplesmente ignorar o fato de distribuirem senhas a pessoas. A medida que um relacionamento se esgota, buscam o número dois, três, etc.
Concordo que a visão romântica já não tem mais espaço nesse mundo de relações caóticas e superficiais, porém me é impossível ser diferente. A essência que me compõe repudia essa indiferença acobertada. Sim, isso nada mais pode ser, além de indiferença. Indiferença com pessoas, sentimentos, desejos. Necessitam enxertos para preencher seus vazios. Corta-se aqui, emenda acolá. Dá—se um jeito.
É como se tornar menos seletiva somente por não ter nada em mãos. É frio, é distante, é cruel. Consigo e com terceiros.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Não temo a solidão. O que mais me preocupa é entrar nela como outrora. Lutei muito para sair, ainda que pouco, da camada espessa em que me encontrava. E pior: Gostava. Camada essa que deixava de ser acessório extra e já se tornava parte integrante de mim. Devagar, fui polindo e tangindo. Não é o suficiente, mas, para mim, já é até demais. A vulnerabilidade não me cai bem. Nunca caiu. Há quem chame de frieza. Enganam-se. É até o contrário: É emoção demais. É vontade de tê-la na sua forma mais rude, mais primitiva. Nada me surpreende, ou melhor, pessoas não me surpreendem. Também, quisera... Cada vez mais me convenço que o senso comum não me pertence. A comodidade de relações frias, as falsas declarações dadas às segundas, terceiras, quartas opções, a indiferença com almas e a excessiva importância com corpos. Corpos vazios, mentes vazias, pseudo-romances vazios.
Enquanto isso, continuo cada vez mais distante de compreender o que se passa na cabeça de indivíduos ocos. Acho até mesmo que não passa nada. Ou talvez não seja tão simples, talvez seja mais complicado entender o que os leva a acordar todos os dias do que os outros, ditos incompreensíveis. Nada importa, já que jamais saberei – assim espero.
Poetas, deem-me suas aparentes ‘falta de lucidez’. É o que me falta para ver tudo com a clareza que sempre quis.

Osasco x Rio

Expectativas de ‘jogaço’... Cinco sets garantidos. E assim foi, pelo menos na última parte.
Osasco entrou com a formação que, ultimamente, vem sendo frequente: Tiemi, Jaque, Sassá, Thaisa, Adenísia, Natália e Brait. A primeira começou bem, regular, competente. Titular absoluta se não fosse o calor – que, na hora, ultrapassava os 40° C – para tirá-la da posição. Entrou Carol, que não fez feio. Jaqueline começou regular, teve horas de luz na metade do jogo e, dali para adiante, só despencou. Terminou o quarto set com um toco, causado pela meio reserva do Rio e começou o quinto set no mesmo passo. Ironicamente, fechou o jogo com um belo ataque. Quanto ao fundo de quadra, impecável, na imensa maioria das vezes. Sassá, apagada, logo foi substituída por Taís (irregular nas recepções e nada brilhante nos outros fundamentos), voltou no fim, um pouco melhor, concluindo alguns ataques. Thaísa figurou os quatro primeiros sets e, no quinto, apareceu com importantes – e decisivas -finalizações. Adenísia mostrou garra e disposição do início ao fim. Parabéns. Brait, como sempre, regular. Agora, Natália sim mostrou a que veio e decidiu o jogo com competência e coragem. Chamou o jogo para si e não fez feio. Com 34 pontos, levou Osasco a vitória.
Rio entrou bem, ganhou o primeiro set e, aos poucos, se desmontou – literalmente. Terminou o jogo com quatro das sete que o iniciaram. Bernardinho, desde o início, não se entendia com Lins e, já no meio, chamou a reserva (Camila Adão) para substituí-la. A meio titular (na verdade, estava no lugar de Gattaz, lesionada) caiu dura, depois de uma torção e teve que dar lugar a jovem Mara, de apenas 18 anos. A menina não fez feio e até bloqueou algumas bolas. Regiane quinou ao passo que Jaqueline levava toco. Irregular aos extremos. Saiu de quadra para que Michelle entrasse. Fabiana não foi percebida em quadra. Nada a comentar. Fabi tentou, mas não conseguiu mudar o resultado. Ao fim, Erika e Michelle deram um ritmo relativamente bom a equipe, chegando ao quinto set disputadíssimo.
Para terminar, num duelo entre Paulistas e Cariocas, a equipe de Osasco levou a melhor.
Parabéns, Osasco.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Mas isso é o fim de tudo. E é isso que eu vim dizer.

Egoístas.
Nunca sequer sentiram uma minúscula ponta da chama que é o amor invadir e entrar n’alma e, ainda assim, ousam culpá-lo pelo seu estado deprimente – ou deprimido.
A doação de alma é confundida com a pseudo-necessidade-vulgo-carência de ter companhia para ir ao cinema nos finais de semana.
O tremor que vem de dentro percorre cada veia, cada ateria, cada pequena parte do seu corpo tem o mesmo efeito que o vento dos dias frios.
Levianos.
Julgam amar aquele ser que é esquecido, após saídas e novos encontros.
Dizem sentir falta. Falta essa que é saciada com um novo corpo, uma nova alma.
Têm como certo o vazio que lhes corrói. Prezam o ‘estar acompanhado’, enquanto só aumentam sua solidão.
Acham-se no direito de tomar espaços, causar estragos, mudar vidas. Pela simples satisfação de um capricho.
Ingratos.
Perdem momentos, vidas, paixões, desejos. Pensam que estão vivendo. Mentira. Morrem cada dia mais e mais. Ao final de tudo, nada restará. Nem eles.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Antigamente eu sabia exatamente o que fazer...

O mar. Sempre tive medo do mar... Mentira, houve uma época em que me encantava, usufruía e até mesmo gostava. Suas idas e vindas, sua inconstância... Seu frescor. A grandeza, ou melhor, a infinitude me assustava de forma positiva e até curiosa.
Cresci ao passo que ficava menor quando em presença do mar. E disso, só me dei conta agora há pouco. Vi-me somente observando-o de longe, à espreita... Admirava e invejava os que lá dentro estavam... Numa leveza, numa calmaria. Sonhei o dia em que faria o mesmo... O dia em que conseguiria experimentá-lo sem receios, com a ingenuidade de uma criança, com o olhar longe das malícias... Sonhei o dia em que entraria sem preocupar-me com seus buracos, suas ondas, seus perigos... Sonhei a inconseqüência que, um dia, jurei ter.
Ah, o mar...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Formato mínimo

As mãos suavam, as pernas tremiam, o coração acelerava enquanto a boca, já seca, se inquietava. Estavam cada vez mais próximos... Os braços já se tocavam e a respiração ia ao compasso das palpitações. Os lábios finalmente se tocam. Primeiro o contato, a calma, a delicadeza. Aos poucos, tudo torna-se mais rápido e mais ávido. Fervor. Paixão. Os braços, as mãos, as bocas... Tudo numa dança frenética se sintoniza e movimenta-se em harmonia. Com desejo. Com amor. Um beijo. O amor no seu formato mínimo.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Estreando já com estranhezas;

Meus dedos tremem ao passo que meu coração acelera. Sinto-me estranha. Fora de mim. Longe de tudo que sempre esperei. Longe, longe... Cada vez mais longe. Afasto-me de mim e, quando percebo, já não me reconheço. Cruzei a linha de meu ser e encontro-me perdida. Perdida em emoções confusas, pensamentos sombrios, vontades incompletas.
Meus sonhos também não são os mesmos. Ou são, mas escondem-se em buracos tão distantes que já não os alcanço mais. Quero-os de volta. Não os terei de volta.
Penso – sim, penso! – que talvez seja mais fácil esquecê-los e criar novos sonhos. Falsos, sim... Mas que, com o tempo, transformem-se em verdades. Já disseram que mentiras, quando contadas a todos, viram verdades. Quero minhas mentiras verdadeiras. Mentira. Não quero. Desprezo-as. Desprezo-as tanto quanto minha falta de coragem, o receio da tentativa e meu medo do fracasso. Quero vida. Quero minha vida, aliás, o que jurava ser minha vida. O nada. O tudo. Depende de quem a vê.