Sempre fora assim. Perdera amores, sonhos, filhos. O vício – ou o hábito – se tornara mais forte que qualquer esperança de melhora, e agora vivia a conseqüência disso tudo. Estava só e doente.
Quando recém casado, o costume de fumar ora aqui ora ali, se transformou em uma rotina diária. Sua mulher vez ou outra pedia que parasse, porém nada adiantou e a situação piorou. Já com filhos, fumava em casa, no trabalho, com amigos, com a família. Tosses, falta de ar, e cansaços repentinos se tornaram constantes, e as brigas também. Ela não agüentou ver a degradação do que fora construído até então e partiu, levando junto filhos. A dependência não era mais psicológica, era química.
Agora, já em uma cama de hospital, vivia de suas próprias lembranças, sem visitas, telefonemas ou cartões a desejar melhoras. Sem expectativa alguma, dias passavam sem fazer diferença alguma, quando de repente a enfermeira disse que alguém o aguardava. Ele pediu que mandassem entrar e, para sua surpresa, seu filho viera vê-lo. O filho que há anos não tinha notícias.
O garoto, agora não tão garoto, correu para abraçar seu pai e ali conversaram e choraram se não recuperando, mas sim compensando o tempo perdido.
E já num suspiro, como último pedido, estendeu a mão em busca da carteira de cigarros que, em cima da cabeceira, descansava. Seu filho, ainda com lágrimas nos olhos, teve como primeira reação dar meia volta e abandoná-lo como sua mãe fizera, no entanto de nada adiantaria. A circunstância fizera daquele momento um ato de cumplicidade. Sem julgamentos ou censuras.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
sábado, 11 de julho de 2009
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Saudade que eu sinto de tudo que ainda não vi...
Sinto falta. Não de minha infância, não de algum tempo bom, não de uma pessoa específica. Sinto falta de tudo que podia ter sido e, por algum disparato do destino, não foi. Sinto falta de todos os livros, todas as músicas, todos os dias chuvosos que não vi, ouvi e presenciei. Sinto falta do tempo por si só. De quando o tempo caminhava passo a passo, num ritmo quase monótono. Sinto falta de sentar-me à janela, num dia frio, nublado e ver a chuva espaça molhar a grama. Sinto falta de toda a delicadeza que os anos 30 tinham. Sinto falta da juventude cheia de ideais dos anos 60, sinto falta a vida que não vivi. Sinto falta do grande amor que não tive, das grandes brigas que não lutei, dos dias que deixei passar, sem me importar com sua grandiosidade.
Sempre estive ligada ao passado e ao futuro, e não percebi que eles são feitos do presente. Sempre quis um grande amor, e não dei valor ao que, mais tarde, se transformariam nele. Sempre quis ser feliz, não a felicidade estampado nos sorrisos das fotos, nem nos sonoros risos que vemos a todo instante. Quis ser um inteiro, sem procurar uma metade que me completasse. Quis me satisfazer em ser um – ou meio? – sem necessitar ser dois – ou um?.
Quis amar, mesmo sem saber ao certo o que é isso. Na verdade, continuo querendo, ainda que não saiba.
Sempre estive ligada ao passado e ao futuro, e não percebi que eles são feitos do presente. Sempre quis um grande amor, e não dei valor ao que, mais tarde, se transformariam nele. Sempre quis ser feliz, não a felicidade estampado nos sorrisos das fotos, nem nos sonoros risos que vemos a todo instante. Quis ser um inteiro, sem procurar uma metade que me completasse. Quis me satisfazer em ser um – ou meio? – sem necessitar ser dois – ou um?.
Quis amar, mesmo sem saber ao certo o que é isso. Na verdade, continuo querendo, ainda que não saiba.
Forget about my love...
Não sei se por egoísmo, mas eu quis aquilo. Quis os olhares, os sorrisos, as insinuações. Interpretei erroneamente – ou não – qualquer palavra, qualquer frase pronunciada ou não.
Fantasiei, talvez, e não temo em admitir. Que não haja o dia em que a fantasia me seja tirada. É o que tenho e é o que me importa. As objetividades que tomem seus caminhos, eu quero é subjetividade, duplas interpretações, ambigüidades e confusões. A clareza, aqui, não tem espaço. E assim seja.
Fantasiei, talvez, e não temo em admitir. Que não haja o dia em que a fantasia me seja tirada. É o que tenho e é o que me importa. As objetividades que tomem seus caminhos, eu quero é subjetividade, duplas interpretações, ambigüidades e confusões. A clareza, aqui, não tem espaço. E assim seja.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Mesmo que você não esteja aqui, o amor está.
E já entorpecida de ódio e amor, procurou-o por todos os cantos. Passados mais de uma hora, quando já estava a ponto de desistir, eis que ele aparece. Lindo e feliz. Sentiu raiva de si mesma ao ver o medo e a insegurança percorrendo cada nervo de seu corpo. Sentiu raiva também dele, que lhe era tão indiferente. Seus olhares se cruzaram e ele abriu um sorriso lindo, porém perturbador. Encaminhou em sua direção.
- Oi! – Disse animadamente.
Ela sorriu, tímida.
- Oi, tudo bem?
Ele não a ouviu. Abraçou-a de uma forma - ainda que inocente - desconcertante. Ela, pela primeira vez, retribuiu o abraço.
- Que linda que você está!
Desejou que aquilo fosse verdade.
- Obrigada. Parabéns!
- Obrigado, linda!
Outras pessoas o rodearam, provavelmente para dar-lhe parabéns ou algo do gênero e ela resolveu voltar à realidade e afastar-se dali.
Caminhou pelo lugar durante alguns minutos, sem querer parar, evitando, dessa forma, conversas desnecessárias. Já um pouco cansada e pensando em ir embora, um rapaz aproximou-se e ficou de papo. Ela tentou algumas vezes se desvencilhar das mãos que agora já tentavam segurá-la.
- Não, dá licença, por favor?
De nada adiantava. A situação já estava preocupante, quando novos pares de mãos enlaçavam sua cintura.
- Ei, será que você podia largar a minha namorada? – Disse uma voz que, logo em seguida, reconheceu.
Era ele.
- Opa, desculpa. – Disse o garoto ao sair.
Virou-se para agradecer.
- Nossa, muito obrig...
Ele estava sério, pela primeira vez e em uma fração de segundo, puxou-a para perto de si e a beijou. Com desejo, com furor.
Durante todo esse tempo o sentimento fora recíproco, ainda que disfarçado por uma impossibilidade do destino. E assim continuará. Para todo o sempre.
Moral da história: Alguns amores não são para serem vividos, somente sentidos.
- Oi! – Disse animadamente.
Ela sorriu, tímida.
- Oi, tudo bem?
Ele não a ouviu. Abraçou-a de uma forma - ainda que inocente - desconcertante. Ela, pela primeira vez, retribuiu o abraço.
- Que linda que você está!
Desejou que aquilo fosse verdade.
- Obrigada. Parabéns!
- Obrigado, linda!
Outras pessoas o rodearam, provavelmente para dar-lhe parabéns ou algo do gênero e ela resolveu voltar à realidade e afastar-se dali.
Caminhou pelo lugar durante alguns minutos, sem querer parar, evitando, dessa forma, conversas desnecessárias. Já um pouco cansada e pensando em ir embora, um rapaz aproximou-se e ficou de papo. Ela tentou algumas vezes se desvencilhar das mãos que agora já tentavam segurá-la.
- Não, dá licença, por favor?
De nada adiantava. A situação já estava preocupante, quando novos pares de mãos enlaçavam sua cintura.
- Ei, será que você podia largar a minha namorada? – Disse uma voz que, logo em seguida, reconheceu.
Era ele.
- Opa, desculpa. – Disse o garoto ao sair.
Virou-se para agradecer.
- Nossa, muito obrig...
Ele estava sério, pela primeira vez e em uma fração de segundo, puxou-a para perto de si e a beijou. Com desejo, com furor.
Durante todo esse tempo o sentimento fora recíproco, ainda que disfarçado por uma impossibilidade do destino. E assim continuará. Para todo o sempre.
Moral da história: Alguns amores não são para serem vividos, somente sentidos.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
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