A pior solidão que pode existir é aquela acompanhada. É quando ela deixa de ser um estado e passar a ser uma pessoa, ou milhões delas. Quanto mais cheio o lugar, mais sós e incompletos nos sentimos. A mais doce palavra só representa a certeza de que, mesmo tendo tudo, não estamos satisfeito. Algo falta. Algo que ninguém sabe o que é, e, ao mesmo tempo, é quase palpável. Tem cor, forma, sabor.
E dói. Dói muito. É o vazio que fere mais que um corte, um machucado. Pior: Não cicatriza, apenas acostuma-se. Uma ferida aberta sem chances de, um dia, sua marca causar apenas lembrança, e não mais dor.
Os dias seguem, sem grandes dramas ou tragédias, todavia, é a calma da indiferença, da não-importância que traz consigo a convicção do dia perdido, da semana perdida... Da vida perdida. A vida não só sua, como também dos que, nela, se fazem presentes.
O telefone toca, mas o coração não acelera. Recadinhos são escritos, mas os dedos não têm a reação imediata de desdobrar o papel. Intenções são claras, mas falta vontade de levá-la adiante. A comodidade da vida de outono quase enlouquece na sua mansa – quase parada – caminhada. O corpo tranqüiliza. A alma explode em desespero.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
domingo, 4 de abril de 2010
sábado, 3 de abril de 2010
I'll wait for you.
O grande amor de outrora, agora só lhe dava risos envergonhados. A ilusão de, um dia, ser única aos olhos de alguém, também. Estava mais dura. Ao contrário do que possa parecer, não se sentia forte, sentia-se até mais frágil... A coragem de ver mãos suando, pernas tremendo, coração acerelando fora-se. Enfraquecera. Sem grandes traumas, o dia a dia tirou suas antigas convicções sempre tão defendidas. Vivia como alguém que não espera mais nada. Nem ninguém.
O jornal onde trabalhava vinha crescendo, à medida que sua carreira lá dentro também. Tinha uma vida estável, um apartamento e um carro próprios. Superara todas as expectativas que amigos e parentes fizeram a respeito de sua profissão. Mostrava-se feliz e satisfeita a todos que perguntassem, ainda que isso não representasse a mínima verdade. Transformara-se em alguém com hábitos e diálogos previsíveis.
Numa segunda feira qualquer, fora à cafeteria de costume e pedira, como sempre, o café preto sem açucar, enquanro abria o notebook para conferir e-mail e dar início na sua coluna diária.
Poucas frases tinham rompido o branco da página, quando alguém interrompia o silêncio com um corriqueiro 'olá'. Ao olhar para cima, viu, ou melhor, reconheceu seu professor de terceiro ano. Aquele por quem sempre tivera uma... 'quedinha', no mais suave dos termos.
- Oi, professor! - Sorriu desconsertada.
Ele ainda não conseguia disfarçar a surpresa de vê-la. Estava linda, embora não tivesse mudado muito. Parecia mais magra, cabelos mais compridos, um rosto mais adulto e, ao mesmo tempo, jovial demais.
- Professor?
- Ah, desculpe... É o costume! - Disse, enquanto levantava-se para cumprimentá-lo. - Senta aqui para um café!
- Não vai dar, desculpa. Tô super atrasado!
Ela, já sentada, olhou insatisfeita, como quem consentia.
- Você não mudou nada mesmo. - Ele riu.
Ela também, desviando o olhar.
- Foi bom de ver. Pena que por tão pouco tempo.
- Pois é... Você tá tão diferente... - Disse, pensativo - Mas a gente se fala.
- É... A gente se encontra por aí.
- Pode ter certeza que sim. - Afirmou, piscando em seguida.
Ela sorriu feliz, como há tempos não fazia. Admirava a capacidade desse homem em deixá-la feito adolescente.
Era confortante - e assustadora - a sensação de ter pelo que esperar todos os dias. Novamente.
O jornal onde trabalhava vinha crescendo, à medida que sua carreira lá dentro também. Tinha uma vida estável, um apartamento e um carro próprios. Superara todas as expectativas que amigos e parentes fizeram a respeito de sua profissão. Mostrava-se feliz e satisfeita a todos que perguntassem, ainda que isso não representasse a mínima verdade. Transformara-se em alguém com hábitos e diálogos previsíveis.
Numa segunda feira qualquer, fora à cafeteria de costume e pedira, como sempre, o café preto sem açucar, enquanro abria o notebook para conferir e-mail e dar início na sua coluna diária.
Poucas frases tinham rompido o branco da página, quando alguém interrompia o silêncio com um corriqueiro 'olá'. Ao olhar para cima, viu, ou melhor, reconheceu seu professor de terceiro ano. Aquele por quem sempre tivera uma... 'quedinha', no mais suave dos termos.
- Oi, professor! - Sorriu desconsertada.
Ele ainda não conseguia disfarçar a surpresa de vê-la. Estava linda, embora não tivesse mudado muito. Parecia mais magra, cabelos mais compridos, um rosto mais adulto e, ao mesmo tempo, jovial demais.
- Professor?
- Ah, desculpe... É o costume! - Disse, enquanto levantava-se para cumprimentá-lo. - Senta aqui para um café!
- Não vai dar, desculpa. Tô super atrasado!
Ela, já sentada, olhou insatisfeita, como quem consentia.
- Você não mudou nada mesmo. - Ele riu.
Ela também, desviando o olhar.
- Foi bom de ver. Pena que por tão pouco tempo.
- Pois é... Você tá tão diferente... - Disse, pensativo - Mas a gente se fala.
- É... A gente se encontra por aí.
- Pode ter certeza que sim. - Afirmou, piscando em seguida.
Ela sorriu feliz, como há tempos não fazia. Admirava a capacidade desse homem em deixá-la feito adolescente.
Era confortante - e assustadora - a sensação de ter pelo que esperar todos os dias. Novamente.
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