terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Mas isso é o fim de tudo. E é isso que eu vim dizer.

Egoístas.
Nunca sequer sentiram uma minúscula ponta da chama que é o amor invadir e entrar n’alma e, ainda assim, ousam culpá-lo pelo seu estado deprimente – ou deprimido.
A doação de alma é confundida com a pseudo-necessidade-vulgo-carência de ter companhia para ir ao cinema nos finais de semana.
O tremor que vem de dentro percorre cada veia, cada ateria, cada pequena parte do seu corpo tem o mesmo efeito que o vento dos dias frios.
Levianos.
Julgam amar aquele ser que é esquecido, após saídas e novos encontros.
Dizem sentir falta. Falta essa que é saciada com um novo corpo, uma nova alma.
Têm como certo o vazio que lhes corrói. Prezam o ‘estar acompanhado’, enquanto só aumentam sua solidão.
Acham-se no direito de tomar espaços, causar estragos, mudar vidas. Pela simples satisfação de um capricho.
Ingratos.
Perdem momentos, vidas, paixões, desejos. Pensam que estão vivendo. Mentira. Morrem cada dia mais e mais. Ao final de tudo, nada restará. Nem eles.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Antigamente eu sabia exatamente o que fazer...

O mar. Sempre tive medo do mar... Mentira, houve uma época em que me encantava, usufruía e até mesmo gostava. Suas idas e vindas, sua inconstância... Seu frescor. A grandeza, ou melhor, a infinitude me assustava de forma positiva e até curiosa.
Cresci ao passo que ficava menor quando em presença do mar. E disso, só me dei conta agora há pouco. Vi-me somente observando-o de longe, à espreita... Admirava e invejava os que lá dentro estavam... Numa leveza, numa calmaria. Sonhei o dia em que faria o mesmo... O dia em que conseguiria experimentá-lo sem receios, com a ingenuidade de uma criança, com o olhar longe das malícias... Sonhei o dia em que entraria sem preocupar-me com seus buracos, suas ondas, seus perigos... Sonhei a inconseqüência que, um dia, jurei ter.
Ah, o mar...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Formato mínimo

As mãos suavam, as pernas tremiam, o coração acelerava enquanto a boca, já seca, se inquietava. Estavam cada vez mais próximos... Os braços já se tocavam e a respiração ia ao compasso das palpitações. Os lábios finalmente se tocam. Primeiro o contato, a calma, a delicadeza. Aos poucos, tudo torna-se mais rápido e mais ávido. Fervor. Paixão. Os braços, as mãos, as bocas... Tudo numa dança frenética se sintoniza e movimenta-se em harmonia. Com desejo. Com amor. Um beijo. O amor no seu formato mínimo.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Estreando já com estranhezas;

Meus dedos tremem ao passo que meu coração acelera. Sinto-me estranha. Fora de mim. Longe de tudo que sempre esperei. Longe, longe... Cada vez mais longe. Afasto-me de mim e, quando percebo, já não me reconheço. Cruzei a linha de meu ser e encontro-me perdida. Perdida em emoções confusas, pensamentos sombrios, vontades incompletas.
Meus sonhos também não são os mesmos. Ou são, mas escondem-se em buracos tão distantes que já não os alcanço mais. Quero-os de volta. Não os terei de volta.
Penso – sim, penso! – que talvez seja mais fácil esquecê-los e criar novos sonhos. Falsos, sim... Mas que, com o tempo, transformem-se em verdades. Já disseram que mentiras, quando contadas a todos, viram verdades. Quero minhas mentiras verdadeiras. Mentira. Não quero. Desprezo-as. Desprezo-as tanto quanto minha falta de coragem, o receio da tentativa e meu medo do fracasso. Quero vida. Quero minha vida, aliás, o que jurava ser minha vida. O nada. O tudo. Depende de quem a vê.