quinta-feira, 4 de junho de 2009

It's hard to believe that there's nobody out there...

Olhou-me com desespero. Desespero que foi silenciado – silenciado, não acalmado - com um beijo. Alguém o despertara a atenção que, até então, era minha. Esperei alguns minutos, mas ainda o ocupavam. Desisti. Queria ir embora, no entanto, para tal, precisaria passar por ali. Respirei. Caminhei em passos lentos, na esperança de que desse tempo para ele perceber e sair do caminho, evitando constrangimentos. Não adiantou.
- Com licença. – Disse, ao chegar próximo a ele.
Ele consentiu.
- Claro... Mas será que você poderia esperar um pouco? Queria falar contigo. – Disse, abrindo seu habitual sorriso que me perturbava.
- Tudo bem. – Disse, mais monossilábica impossível.
Saí. Os minutos que ali passei pareceram eternos, até que ele apareceu. Faltou-me o ar.
- Desculpa a demora. – Disse, sentando-se ao meu lado.
- Sem problemas.
Queria dizer mil coisas, mas palavras me faltavam, assim como qualquer atitude ou expressão.
- Você está tem? – Ele me perguntou.
- Sim... Desculpa... É que estou um pouco distraída hoje.
- É, estou percebendo...
Eu ri.
- Então... – Comecei.
- Ah, sim... Eu queria pedir desculpas por ontem. Eu não deveria ter feito aquilo. Foi um er...
- Psiu, não fala mais nada, por favor? Não estraga algo que, ao menos para mim, foi tão bom. Não estou pedindo nada. Só não diz que não deveria ter acontecido.
- Eu não disse que foi ruim, ao contrário. E é por isso que eu não quero me complicar ainda mais.
- No que depender de mim, não vai acontecer nada.
- Não é você quem eu temo.
- É quem, então?
Seu olhar, dessa vez, foi mais profundo e intenso. Eu desviei o meu.
- É tão difícil eu sentir ‘isso’. Muito difícil mesmo. Então eu não quero pensar que, na primeira vez que eu realmente gostei de estar com alguém, foi um erro.
- Nem pensa nisso, por favor.
- É uma lembrança boa.
- Só vai ser uma lembrança boa quando eu não sentir vontade de repetir. Até lá, dói.
Aquilo sim doeu. O coração disparou.
- Desculpa. – Disse, ao desviar o olhar para o chão.
- Nada... Foi só o choque.
O silêncio se tornou presente. Ouviam as respirações um do outro, que acelerava cada vez mais.
- É melhor eu ir embora. – Disse ele, levantando-se rapidamente.
- É, acho que sim. – Disse, também me levantando com pressa – Tchau – Falei ao passar por ele.
No momento em que já tinha a certeza de que aquilo era o fim, ele me puxou pelo braço, segurou-me pela cintura e quando pude reparar, estávamos em mais um beijo. Uma de suas mãos me enlaçava enquanto a outra percorria meu rosto. Eu passei meus braços por seu pescoço. Aos poucos o beijo intenso, como outrora, foi suavizando, até que se transformou em toques.
- Não fala nada – Disse eu, colocando o dedo em sua boca, para silenciá-lo – Eu tenho que ir.
Ele só balançou a cabeça positivamente e segurou minha mão.
- Tchau – Sibilei com os lábios.
Ele sorriu. Eu também. Os braços se esticaram até que não puderam mais manter-se unidos. Fui embora, olhando a todo o momento para trás. Ele permaneceu ali, assim como espero que permaneça em minha vida.