Grandes e impossíveis romances sempre nos foram postos para que lêssemos e sonhássemos em vivê-los um dia. E aí a saga começa. Seu controle de qualidade acaba ficando além do necessário. Além do permitido. Triângulos amorosos complicadíssimos e nós, claro, no vértica disputado ou, ao menos, preferido. Impossibilidades de distância, classes sociais, idades, traições e, no fim, o esperado final feliz. A história sempre acaba aí e a continuação fica por nossa conta. Eu, por erro ou distração, nunca me preocupei com isso. Sempre tentava impor intenções dúbias em frases criadas pelo autor, olhares a mais, silêncios a mais. Tentando ver além das linhas, além do óbvio. Talvez por esse motivo, reticências sempre me foram queridas, e livros pouco detalhados me fossem mais impactante que a maioria.
Talvez por isso também, eu goste mais de inícios e meios. Desprezo fins. Mentira, desprezo a continuidade do fim. A comodidade do 'felizes para sempre'. Me agonia a ideia de que aquelas últimas linhas serão repetidas pela eternidade e que, tudo que valesse ser escrito e contado, acaba na linha tênue que divide o meio e o fim. Sou efêmera, sou inquieta. Alimento a esperança na expectativa de transformar a vida em fins infindáveis.
segunda-feira, 29 de março de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
Aurélia Camargo.
Hoje, não sei o porquê, resolvi reler a cena do baile, no livro Senhora. A partir daí, comecei a procurar livros, comunidades, opiniões e, inconscientemente, acabo aqui, tentando definir essa personagem que tanto fascina.
Como todo romance romântico, temos a boa moça, que, nesse livro, é representada por Aurélia. Pobre, destemida, se apaixona por um jovem elegante - porém não rico - da corte. Até aí, nada além do esperado. O que mais surpreende é que, com tantas perdas (do pai, do avô, da mãe...), a única que realmente a endureceu foi a perda de sua paixão: Fernando.
Agora já rica, nada a satisfaz ou emociona, exceto ele, Fernando. E, como solução, ela resolve ceder sua vida, em prol de uma vingança. Casa-se com Fernando, por um dote ainda maior do que sua oferta anterior, e abdica de qualquer felicidade. Em sua noite de núpcias, conta a Fernando toda a farsa e avisa-o que o comprara e que, de agora em diante, o tem como propriedade.
Mesmo que digam que o casamento foi uma forma de vingança, vejo por outro lado: Ela é orgulhosa demais para perdoar e aceitá-lo, depois de tudo que acontecerra, todavia, ama-o a ponto de preferir viver em um inferno com ele a ficar sem. É uma tentativa desesperada de mantê-lo em sua vida, ainda que dessa forma, ainda que o desprezando. A prova disso é que, ao perceber o fim, o afastamento, ela se joga ao pés dele e implora perdão (cena essa que não me agrada).
É incrível como, mesmo com tantas mágoas e agressões, eles se estremecem um na presença mais próxima do outro. Preocupam-se e importam-se como amantes e amados. A cena do baile representa bem isso. O momento em que Fernando enlaça Aurélia pela cintura e o tremor que sentem, a paixão em olhares e situis toques, o pedido (dessa vez pedido, não ordem) para que continuassem ali, próximos e a total obediência de Fernando (voluntária). A necessidade de permanecerem ali e, por fim, o 'beijo', o toque de lábios que desconstruiu toda a força que Aurélia tentara demonstrar até o momento.
Aurélia tanto teme o fim daquilo que alimentou sua vida, tanto teme que, um dia, possam lembrar um do outro sem sentimento algum - bom ou ruim -, que prefere arriscar a liberdade - sua e dele.
É doentio, é fascinante.
Hoje, não sei o porquê, resolvi reler a cena do baile, no livro Senhora. A partir daí, comecei a procurar livros, comunidades, opiniões e, inconscientemente, acabo aqui, tentando definir essa personagem que tanto fascina.
Como todo romance romântico, temos a boa moça, que, nesse livro, é representada por Aurélia. Pobre, destemida, se apaixona por um jovem elegante - porém não rico - da corte. Até aí, nada além do esperado. O que mais surpreende é que, com tantas perdas (do pai, do avô, da mãe...), a única que realmente a endureceu foi a perda de sua paixão: Fernando.
Agora já rica, nada a satisfaz ou emociona, exceto ele, Fernando. E, como solução, ela resolve ceder sua vida, em prol de uma vingança. Casa-se com Fernando, por um dote ainda maior do que sua oferta anterior, e abdica de qualquer felicidade. Em sua noite de núpcias, conta a Fernando toda a farsa e avisa-o que o comprara e que, de agora em diante, o tem como propriedade.
Mesmo que digam que o casamento foi uma forma de vingança, vejo por outro lado: Ela é orgulhosa demais para perdoar e aceitá-lo, depois de tudo que acontecerra, todavia, ama-o a ponto de preferir viver em um inferno com ele a ficar sem. É uma tentativa desesperada de mantê-lo em sua vida, ainda que dessa forma, ainda que o desprezando. A prova disso é que, ao perceber o fim, o afastamento, ela se joga ao pés dele e implora perdão (cena essa que não me agrada).
É incrível como, mesmo com tantas mágoas e agressões, eles se estremecem um na presença mais próxima do outro. Preocupam-se e importam-se como amantes e amados. A cena do baile representa bem isso. O momento em que Fernando enlaça Aurélia pela cintura e o tremor que sentem, a paixão em olhares e situis toques, o pedido (dessa vez pedido, não ordem) para que continuassem ali, próximos e a total obediência de Fernando (voluntária). A necessidade de permanecerem ali e, por fim, o 'beijo', o toque de lábios que desconstruiu toda a força que Aurélia tentara demonstrar até o momento.
Aurélia tanto teme o fim daquilo que alimentou sua vida, tanto teme que, um dia, possam lembrar um do outro sem sentimento algum - bom ou ruim -, que prefere arriscar a liberdade - sua e dele.
É doentio, é fascinante.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Pior de tudo que a gente ainda vai se ver...
Dia 23 de Outubro, às 17h51:
Ela 'É como se tudo que eu mais quisesse, agora estivesse em minhas mãos. E pior: Não é suficiente. Eu não 'tô feliz. Pelo menos não como imaginei. Ele não parece o homem de minha vida... O jeito com que ele me olha não fascina mais, da mesma forma que o sorriso meio torto já me incomoda. Nada continua como antes... E justo agora, que o tenho aqui comigo. Hoje vou conversar com ele... Espero que não fique bravo comigo'
Ele 'É maravilhoso poder enfim sair na rua com ela e poder mostrar toda a felicidade que ela me causa. A risada dela me faz rir, o jeito com que ela faz perguntas irritantes o tempo todo e me cobra atenção enquanto dirijo também. A maneira dela falar minutos seguidos sem ao menos respirar e eu... hãn... eu perdido já na primeira frase... É tudo que eu sempre sonhei, ou melhor... é tudo que eu já nem sonhava mais. Hoje será nosso primeiro encontro oficial... Acho que estou apaixonado'
Dia 24 de outubro, às 02h17:
Ela 'Eu não imaginava que ele teria essa reação, mas foi melhor assim... Eu já não gostava mais dele... Na verdade, eu talvez nunca tenha gostado. Era bom ter alguém por quem lutar. Seria ainda melhor estar apaixonada. Paciência.'
Ele 'A noite não foi exatamente como esperei. Mentira. Foi a pior noite da minha vida. Não consigo entender aquela frieza... Aquela praticidade... Como se o que tivéssemos vivido não significasse nada. Acho que não significou, mesmo... Eu vivi aquilo sozinho. Fantasiei demais. Supervalorizei demais.'
Duas semanas depois...
Park Avenue. Ela corria e ele ia trabalhar, quando se cruzaram...
- Oi
- Oi...
- Como você está?
- Levando. Imagino que você esteja melhor.
- Na verdade, não.
- Foi feito o que você quis.
- Isso não significa que eu esteja feliz.
- Como você quiser...
- Bom... Você tá indo trabalhar?
- Tô.
...
- Eu já vou indo.
- A gente se fala.
- É... Quem sabe.
- Tchau.
- Tchau.
Afastam-se.
Ela chora. Ele não.
Ela 'É como se tudo que eu mais quisesse, agora estivesse em minhas mãos. E pior: Não é suficiente. Eu não 'tô feliz. Pelo menos não como imaginei. Ele não parece o homem de minha vida... O jeito com que ele me olha não fascina mais, da mesma forma que o sorriso meio torto já me incomoda. Nada continua como antes... E justo agora, que o tenho aqui comigo. Hoje vou conversar com ele... Espero que não fique bravo comigo'
Ele 'É maravilhoso poder enfim sair na rua com ela e poder mostrar toda a felicidade que ela me causa. A risada dela me faz rir, o jeito com que ela faz perguntas irritantes o tempo todo e me cobra atenção enquanto dirijo também. A maneira dela falar minutos seguidos sem ao menos respirar e eu... hãn... eu perdido já na primeira frase... É tudo que eu sempre sonhei, ou melhor... é tudo que eu já nem sonhava mais. Hoje será nosso primeiro encontro oficial... Acho que estou apaixonado'
Dia 24 de outubro, às 02h17:
Ela 'Eu não imaginava que ele teria essa reação, mas foi melhor assim... Eu já não gostava mais dele... Na verdade, eu talvez nunca tenha gostado. Era bom ter alguém por quem lutar. Seria ainda melhor estar apaixonada. Paciência.'
Ele 'A noite não foi exatamente como esperei. Mentira. Foi a pior noite da minha vida. Não consigo entender aquela frieza... Aquela praticidade... Como se o que tivéssemos vivido não significasse nada. Acho que não significou, mesmo... Eu vivi aquilo sozinho. Fantasiei demais. Supervalorizei demais.'
Duas semanas depois...
Park Avenue. Ela corria e ele ia trabalhar, quando se cruzaram...
- Oi
- Oi...
- Como você está?
- Levando. Imagino que você esteja melhor.
- Na verdade, não.
- Foi feito o que você quis.
- Isso não significa que eu esteja feliz.
- Como você quiser...
- Bom... Você tá indo trabalhar?
- Tô.
...
- Eu já vou indo.
- A gente se fala.
- É... Quem sabe.
- Tchau.
- Tchau.
Afastam-se.
Ela chora. Ele não.
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