segunda-feira, 29 de março de 2010

Grandes e impossíveis romances sempre nos foram postos para que lêssemos e sonhássemos em vivê-los um dia. E aí a saga começa. Seu controle de qualidade acaba ficando além do necessário. Além do permitido. Triângulos amorosos complicadíssimos e nós, claro, no vértica disputado ou, ao menos, preferido. Impossibilidades de distância, classes sociais, idades, traições e, no fim, o esperado final feliz. A história sempre acaba aí e a continuação fica por nossa conta. Eu, por erro ou distração, nunca me preocupei com isso. Sempre tentava impor intenções dúbias em frases criadas pelo autor, olhares a mais, silêncios a mais. Tentando ver além das linhas, além do óbvio. Talvez por esse motivo, reticências sempre me foram queridas, e livros pouco detalhados me fossem mais impactante que a maioria.
Talvez por isso também, eu goste mais de inícios e meios. Desprezo fins. Mentira, desprezo a continuidade do fim. A comodidade do 'felizes para sempre'. Me agonia a ideia de que aquelas últimas linhas serão repetidas pela eternidade e que, tudo que valesse ser escrito e contado, acaba na linha tênue que divide o meio e o fim. Sou efêmera, sou inquieta. Alimento a esperança na expectativa de transformar a vida em fins infindáveis.

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