A pior solidão que pode existir é aquela acompanhada. É quando ela deixa de ser um estado e passar a ser uma pessoa, ou milhões delas. Quanto mais cheio o lugar, mais sós e incompletos nos sentimos. A mais doce palavra só representa a certeza de que, mesmo tendo tudo, não estamos satisfeito. Algo falta. Algo que ninguém sabe o que é, e, ao mesmo tempo, é quase palpável. Tem cor, forma, sabor.
E dói. Dói muito. É o vazio que fere mais que um corte, um machucado. Pior: Não cicatriza, apenas acostuma-se. Uma ferida aberta sem chances de, um dia, sua marca causar apenas lembrança, e não mais dor.
Os dias seguem, sem grandes dramas ou tragédias, todavia, é a calma da indiferença, da não-importância que traz consigo a convicção do dia perdido, da semana perdida... Da vida perdida. A vida não só sua, como também dos que, nela, se fazem presentes.
O telefone toca, mas o coração não acelera. Recadinhos são escritos, mas os dedos não têm a reação imediata de desdobrar o papel. Intenções são claras, mas falta vontade de levá-la adiante. A comodidade da vida de outono quase enlouquece na sua mansa – quase parada – caminhada. O corpo tranqüiliza. A alma explode em desespero.
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