sexta-feira, 31 de julho de 2009

Odeio títulos para redações, beijos.

Sempre fora assim. Perdera amores, sonhos, filhos. O vício – ou o hábito – se tornara mais forte que qualquer esperança de melhora, e agora vivia a conseqüência disso tudo. Estava só e doente.
Quando recém casado, o costume de fumar ora aqui ora ali, se transformou em uma rotina diária. Sua mulher vez ou outra pedia que parasse, porém nada adiantou e a situação piorou. Já com filhos, fumava em casa, no trabalho, com amigos, com a família. Tosses, falta de ar, e cansaços repentinos se tornaram constantes, e as brigas também. Ela não agüentou ver a degradação do que fora construído até então e partiu, levando junto filhos. A dependência não era mais psicológica, era química.
Agora, já em uma cama de hospital, vivia de suas próprias lembranças, sem visitas, telefonemas ou cartões a desejar melhoras. Sem expectativa alguma, dias passavam sem fazer diferença alguma, quando de repente a enfermeira disse que alguém o aguardava. Ele pediu que mandassem entrar e, para sua surpresa, seu filho viera vê-lo. O filho que há anos não tinha notícias.
O garoto, agora não tão garoto, correu para abraçar seu pai e ali conversaram e choraram se não recuperando, mas sim compensando o tempo perdido.
E já num suspiro, como último pedido, estendeu a mão em busca da carteira de cigarros que, em cima da cabeceira, descansava. Seu filho, ainda com lágrimas nos olhos, teve como primeira reação dar meia volta e abandoná-lo como sua mãe fizera, no entanto de nada adiantaria. A circunstância fizera daquele momento um ato de cumplicidade. Sem julgamentos ou censuras.

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