Muito me lembro daquele dia. Amigos insistindo para que eu fosse à tal festa que, segundo eles, seria imperdível e eu, ainda deslumbrado com minha realidade bastante satisfatória para a época - e para meus 23 anos -, fui e fiz questão de dar carona a eles (descarada intenção de aparecer com o carro que acabara de lançar; e eu, de comprar).
Ao chegar na festa, uma garota logo me chamou a atenção e, em minha doce ilusão, ela não me seria difícil. Durante todo o tempo em que estive lá, nem um segundo sequer olhou para mim, até que algo parecido com seu namorado chegou. Aquilo mexeu com minha auto estima, no entanto, não o bastante para me fazer desisti. Esperei que ele se afastasse dela e me aproximei. A indiferença permaneceu, com sorrisos de canto, superficialidade dos assuntos e desvios de olhares. Resolvi que era hora de adotar outro método: Aparecer-me com o que considerava mais atrativo, o carro.
Seu companheiro não voltava e me senti à vontade em chamá-la para um passeio. Ela nem por um minuto considerou a hipótese ou se entusiasmou com a possibilidade de andar no carro, até então, mais cobiçado por todos - fato que nunca acontecera com mulher nenhuma. Aquilo fez com que, não só perdesse a paciência, como também me achasse no direito de tirar satisfações:
- Diga o que é que ele tem que eu não posso ter? Vamos, diga.
Ela, numa só palavra, acabou com qualquer resto de auto estima que sobrara:
- Eu.
E desde então meu senso crítico foi criado.
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