quinta-feira, 9 de julho de 2009

Saudade que eu sinto de tudo que ainda não vi...

Sinto falta. Não de minha infância, não de algum tempo bom, não de uma pessoa específica. Sinto falta de tudo que podia ter sido e, por algum disparato do destino, não foi. Sinto falta de todos os livros, todas as músicas, todos os dias chuvosos que não vi, ouvi e presenciei. Sinto falta do tempo por si só. De quando o tempo caminhava passo a passo, num ritmo quase monótono. Sinto falta de sentar-me à janela, num dia frio, nublado e ver a chuva espaça molhar a grama. Sinto falta de toda a delicadeza que os anos 30 tinham. Sinto falta da juventude cheia de ideais dos anos 60, sinto falta a vida que não vivi. Sinto falta do grande amor que não tive, das grandes brigas que não lutei, dos dias que deixei passar, sem me importar com sua grandiosidade.
Sempre estive ligada ao passado e ao futuro, e não percebi que eles são feitos do presente. Sempre quis um grande amor, e não dei valor ao que, mais tarde, se transformariam nele. Sempre quis ser feliz, não a felicidade estampado nos sorrisos das fotos, nem nos sonoros risos que vemos a todo instante. Quis ser um inteiro, sem procurar uma metade que me completasse. Quis me satisfazer em ser um – ou meio? – sem necessitar ser dois – ou um?.
Quis amar, mesmo sem saber ao certo o que é isso. Na verdade, continuo querendo, ainda que não saiba.

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