A música era ensurdecedora; as luzes, intermitentes; o ar, inexistente. A única coisa que poderia transformar aquele lugar em algo próximo de suportável, ou quem sabe até divertido, era uma bebida – alcoolica. E em grande quantidade, de preferência.
O caminho do bar parecia não ter mais fim, dados aos empurrões e encontros, mas ninguém parecia notar ou se importar. Suas amigas conversavam – ainda que não entendesse como – de forma animada, cheio de risinhos dúbios e mal intencionados. A felicidade naquele lugar era eloquente e até ofensiva, para quem olhava - e somente olhava.
Já perto do barman, alguém segurou seu braço. O impulso de, sem olhar, tirar rapidamente foi interrompido com um tom de voz familiar cumprimentando-a.
- Oi!
Ao se virar, reconheceu o rosto dos corredores da universidade em que estudava. Ele nunca sequer cumprimentara com um olhar ou aceno. Tinha a certeza de que a odiava, ainda que sem motivos. Era bonito e simpático, pela opinião geral. Ela duvidava da última parte, todavia não podia negar a primeira. Agora estava ali, com um sorriso gentil.
- Oi, tudo bem? - Retribuiu.
Sem uma palavra, puxou-a para o lounge, onde a música tornava-se mais calma e baixa.
- Ana seu nome, certo?
- Sim. O seu é Gabriel.
- Acho que já estamos apresentados, então.
- É... Por que?
A resposta começou em forma de um beijo. Forte e intenso. E terminou numa cama desconhecida, com um semi-desconhecido do outro lado. Já tinha amanhecido quando acordou e viu que estava sozinha num quarto pequeno e, no bidê, havia um bilhete escrito algo como ‘Tive que sair cedo. Beijo, Gabriel.’. Levantou, vestiu as roupas e deixou aquele lugar sem saber se voltaria a estar ali.
O final de semana acabou e a Segunda-feira trouxa o confronto inevitável. Durante o intervalo de uma aula e outra, ele estava lá, no corredor, com amigos. Ela passou e, como sempre, fingiram que não se conheciam.
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