Os olhares se cruzam. O tempo para. Tudo ao redor acontece mais lentamente, ou melhor, não acontece. Os dois sabem que devem desviar seus focos e continuar seus afazeres, no entanto, o instinto de permanecer ali, contemplando a impossível, mas muito querida possibilidade de, um dia, ao se verem, poderem correr para os braços um do outro, se sobrepõe ao dever. Um sorriso meio que de canto começa a surgir no rosto dela, que, já sem graça com a situação, fica vermelha. Ele sorri com a timidez da garota. Uma expressão melancólica surge em ambos. A consciência de que a culpa por terem que fingir tamanha indiferença é inteiramente deles. O medo e a insegurança os fizeram desistir. Desistir de, um dia, existirem como um.
Os segundos passam, até que a namorada dele o chama, e lhe pergunta algo que não faria a menor importância. Os dois desviam seus olhares e voltam a fazer qualquer coisa que, antes, os distraía. A vida segue, não é mesmo?
... Soterrar o mundo com uma avalanche, só pra que possa sobrar apenas eu e você!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário