Ela me encantava. Vê-la rir, mesmo que não soubesse o assunto, me paralisava. Andava pela sala como quem tinha aquilo tudo nas mãos. Tinha sutileza, classe, elegância como ninguém. Mexia os cabelos com uma naturalidade nunca vista antes. E eu? Eu me odiava, odiava não ter coragem de falar com ela, odiava me sentir inferior a ela, odiava ensaiar frases ridículas na frente do espelho.
Todos os dias ela chegava ao colégio, e eu, tolo, a procurava com o olhar, preferia acreditar que ela também assim o fazia, mesmo sabendo que, provavelmente, o acaso se encarregava do encontro. Simples e maldito acaso. Não nos falávamos, mas já valia meu dia seu simples sorriso de canto. Logo depois o olhar era desviado. Das duas partes.
As aulas nem tinham mais graça, sentia-me obrigado a olhar para ela, e somente para ela. Suas reações, o modo com que colocava o lápis na boca quando pensava, o olhar perdido nas aulas mais entediantes, a virada de olho quando alguém a chamava. Estava vidrado, doente, obcecado. Precisava falar com ela, dar um oi que fosse. Enchi-me de coragem e, ao tocar o sinal, fui até ela, respirei fundo, enchi os pulmões de ar e, quando estava pronto para gaguejar poucas frases, seu celular tocou e, ao atender, ela disse: ‘Oi amor’.
A aula acabara e, com ela, todas as minhas esperançar também.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário